[me ajuda aqui?]

aff, calaboc

amor compartilhado pela freguesa hellen bortoleto.


êta sábado maravilhoso. livraria com movimento igual ao da 25 de março, musiquinha rolando pra descontrair o ambiente, crianças serelepes correndo de um lado para o outro, e para deixar o dia com um gostinho de quero mais, um casal aborda a livreira:

freguesa: moça, cê poderia me indicar algum livro parecido com 'o senhor dos anéis'?

(talvez algum do tolkien psicografado?)

livreira: olha, como você deve saber, 'o senhor dos anéis' tem um estilo muito especifico. você conhece os livros do r.r.martin? 

(antes que a livreira pegasse o livro, a freguesa demonstra que não está muito confortável)

freguesa: ah não moça, não gosto desse tipo de literatura (alôalô coerência? sdds coerência? por onde anda menina coerência?) prefiro algo mais parecido, sei lá, com o tolkien mesmo ou algo tipo o dan brown. você tem ou não?

(careta pode. grosseria não pode)

livreira: não temos. dan brown e tolkien são autores muito prestigiados, não há obras como as deles, sabe.

freguesa: então quero um policial. eu já li de tudo, moça, me mostre algo diferente. 

(depois de vasculhar todo seu acervo mental de livros, quase se dando por vencida por questões óbvias, e um pouco desanimada, a livreira pergunta)

livreira: você já leu 'os homens que não amavam as mulheres'? 

freguesa: não, não, haha. eu te peço um livro policial e você me indica um livro de relacionamento?


manual prático de bons modos em livrarias: dois séculos trabalhando em livraria e eu ainda não consigo entender a freguesia que pede indicação de leitura, mas nunca aceita nenhuma sugestão. alguém me ajuda nessa empreitada, por favor?

[amar, rezar, chorar]


amor compartilhado pelo freguês thi pad

sábado, dez da manhã, com menos de um minuto de livraria aberta, a freguesa entra e diz:

- moço, tem aquele livro da julia roberts? aquele lá, o 'comer, amar, rezar'?

(suspiro)

manual prático de bons modos em livrarias: não, mas tem aquele ótimo 'quanto mais a gente reza, mais o diabo insiste em tocar cover das canções celestiais com sua banda formada só por anjos decaídos'. 

[astronauta?]

EITA


causo telefônico:

livreira: livraria x, boa tarde.

freguês: boa tarde. minha filha, tem alguém aí que seja especialista em língua portuguesa?

(você me jura, moço? nossa única especialidade é amar sem qualquer critério. mas vamos lá, boa vontade, livreira, o moço poderia estar precisando de alguma coisa específica. sim, até parece mentira e vocês podem não acreditar, mas tem gente que compra livro em livraria)

livreira: olha, no momento não tem ninguém. posso tentar te ajudar?

freguês (um pouco reticente): hm, pode.

livreira: pois não, pode falar.

freguês: "HÁ MAIS DE CINQUENTA ANOS O MALAGRADO É BEBERRÃO", essa frase está correta?

(astronauta? mas moço, isso foi uma cantada, uma confissão ou o quê?)

manual prático de bons modos em livrarias: alô alô graças a deus, vocês que ficam ligando pras livraria tudo atrás de respostas para perguntas de outro planeta: por favor, parem.

vale quanto mede?

 
hahahaha, não.

final de expediente é quando a verdadeira magia acontece. a magia cria asas e ninguém é capaz de segurar o seu tchan. e por falar nisso, foco aqui, amigos do fórum, o causo de hoje é digno de tese em hogwarts.

(livreira a, que está guardando alguns livros do setor, é abordada por livreira b)

livreira b: a altura do harry potter?

(porque, né, não basta ser livreiro, tem que acompanhar a loucura da freguesia. livreira a acha a pergunta estranha - eufemismo para 'what the fuck' -, mas responde mesmo assim)

livreira a: olha, depende. no primeiro livro ele era baixinho e no último ele já está bastante crescido, então deveria ser mais ou menos desse tamanho e...

(livreira a percebe uma mudança drástica no semblante da sua colega de trabalho e fica preocupada. paralisia de bell? talvez)

livreira b: como assim?

livreira a: você não me perguntou a altura do harry potter?

livreira b: não, eu quero saber quem é a A-U-T-O-R-A.

manual prático de bons modos em livrarias: autora, altura, ator, autor, tudo igual. livreira a tá de parabéns. eu não teria respondido melhor. clap.

cadê meus papel?




sábado, dez e dois da manhã. livreira, meio dormindo, meio acordada, é abordada por uma daquelas freguesas que exalam simpatia (simpatia vencida, que fique claro).

freguesa (gritando):  CÊ É DAQUI?

(não, sou de são paulo)

livreira: bom dia. sim, eu trabalho aqui.

freguesa: eu vim retirar um livro didático que a minha filha deixou reservado.

(olha, freguês fala "didático" eu já enrijeço de desespero)

livreira: e qual é o nome da sua filha?

freguesa: MARIA CATARINA OLIVEIRA FERNANDES GONGALVES PEIXOTO DUARTE PINTO DE MENEZES (e continua)

(mas isso não é um nome, é um rap. livreira anota o nome da filha da freguesa em um pedaço de papel e vai procurar o bendito livro na reserva)

livreira: só um instante, vou lá verificar.

(depois de alguns minutos, livreira volta com o livro e entrega para a freguesa, que não move um músculo do rosto)

livreira: a senhora precisa de mais alguma coisa?

freguesa: CADÊ O PAPEL?

livreira: papel?

freguesa: é, você anotou o nome da minha filha em um papel.

(santo cristo era santo porque sabia morrer. cantarolar mentalmente 'faroeste caboclo' e ver se a sua memória continua impecável se faz necessário)

livreira: senhora, eu já joguei fora.

freguesa: onde?

(minha avó, aquela linda, teria respondido "no c* do conde")

livreira: numa das lixeiras da loja, senhora, não lembro.

freguesa: EU PRECISO DO PAPEL. O NOME DA MINHA FILHA NÃO PODE FICAR ANOTADO EM QUALQUER PEDAÇO DE PAPEL.

(ai, sabe, bang)

manual prático de bons modos em livrarias: além de deixar para comprar os livros escolares em março (criançada começando as aulas sem os livros por motivos de procrastinação dos responsáveis, veja bem), a galera ainda quer transformar qualquer atendimento em um carnaval fora de época. assim não dá,
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