[tudo junto e misturado - parte 2]



- mocinho, por favor, você pode me mostrar onde ficam os livros de shoyu?

(livreiro, prontamente, leva a cliente até a estante de gastronomia e mostra alguns livros de culinária)

- não, não. não são esses! (inconformada)

(pensativo, o livreiro mostra os títulos sobre molhos, comida oriental e NADA)

- SHOYU, MEU FILHO, SHOYU! (a freguesa está no alto da sua indignação e falando cada vez mais alto)

(sem ter a quem recorrer, livreiro olha desoladamente para os lados, sem um resquício de esperança. ele sabe, ah, ele sabe, que só um milagre divino será capaz de salvar a sua pele)

- OSHO! o que ela quer são livros do OSHO!

(uma freguesa, que acompanhava de perto a situação, salva a pátria do nosso colega de trabalho. o livreiro, aliviado, leva a freguesa até o local dos molhos oshianos, digo, de meditação e todos ficam extremamente satisfeitos)

manual prático de bons modos em livrarias: pedimos ao universo, diariamente, mais fregueses como a carol menezes. matar um leão por dia, às vezes, pode ser um tanto quanto perigoso para a pele.
[on the road]


a livreira aqui está de férias (!!!) e vai seguir viagem com seu amor livresco por alguns dias.

até breve,
[tudo junto e misturado - parte 1]





- oi, eu queria um livro chamado "cheiro do rabo".
- não seria "o cheiro do ralo"?

- oi, você tem aquele livro chamado "o buda e o executivo"
- "o monge e o executivo"?

- meu filho precisa ler um livro pra escola chamado "capitães de copacabana".
- capitães de copacabana?
- é, do jorge amado.
- ...

- então, aquela poeta clarince lispetor não escreveu um livro chamado "o pássaro e a estrela"?
- poeta, clariNce, pássaro?

- eu queria aquele livro que saiu na lista dos mais vendidos "a menina que empinava pipa".
- hahahahahhaha (a risada foi inevitável, eu confesso)

e, por último,


- moça, eu tenho anotado aqui o nome do livro. só um instantinho, por favor. (mexendo freneticamente na bolsa, tirando tudo da bolsa, menos, encontrando o papel) ah, está aqui no meu caderninho, ah sim, ora, vejamos, o nome do livro é: "a cabana de marley e eu". (é, meus amigos, estava A N O T A D O A S S I M)
- ...


manual prático de bons modos em livrarias: nossos fregueses são pessoas, acima de tudo, criativas. assim como existem os "capistas" (responsáveis pela capa dos livros), deveria existir, também, a função de "titulista" (sim, é isso mesmo o que você está pensando). estou aqui quebrando a cabeça, tentando lembrar de todos os títulos já criados por nossos colegas de trabalho (ora, se o silvio santos pode chamar a platéia assim, por que não podemos?) mas é uma tarefa impossível. portanto, vou dividir a missão com vocês. lembrou de algum título bizarro/trocado/inventado por um freguês?, mande cá pra gente.
[versão impressa do manual prático de bons modos em livrarias]

seria exatamente assim.
[amém]

antes de relatar o causo a seguir, gostaria de pedir a colaboração dos livreiros amigos com histórias relacionadas ao livro ágape (padre marcelo rossi), um dos maiores sucessos editorais dos últimos tempos. tamanho o sucesso que os fregueses não conseguem medir esforços para chamar a nossa atenção na hora de comprar o seu. só para ilustrar, rapidinho aqui, há algumas semanas, uma freguesa ao descobrir que não tínhamos mais nenhum exemplar da obra, mandou todos os livreiros tomar naquele lugar. cê duvida? vai vendo que só melhora.




resumo da ópera: livreiro, precisando de privacidade para fazer uma ligação pessoal, vai até o setor de livros esotéricos, afastado dos demais. quando ele pega o telefone, uma senhora, nos seus 80 anos, aponta o livro ágape para ele:

livreiro (sorrindo e pensando"é hoje..."): pois não?

senhora (sorrindo): você é católico?

livreiro (sorrindo e desejando uma morte lenta e dolorosa): sou, sim... (pronto, lá vai ele pro inferno, o mentiroso)

senhora (obstinada): leia essa oração. é boa. é só pedir pra mãe ir na frente. "mãezinha, vai na frente, mãezinha, vai na frente" (fechando os olhos e empurrando algo imaginário com a mão). eu tenho 80 anos e sou saudável, então eu dou esse livro de presente, com o dinheiro que gastaria com remédios, médicos. eu já dei pra minha gastro, pro endocrino, pra ginecologista, pro pneumologista (saudável? oi?)

livreiro (não conseguindo demonstrar nada além de espanto): ah, sim...

senhora (séria): é verdade. e eu não sou fanática. mas eu dei 20 desses de presente e hoje vou levar mais dois. e eu não sou fanática, mas eu tenho problema de gases (aperta a barriga). um dia eu coloquei o livro na barriga e pedi pra mãezinha ir na frente (???) e pronto, resolveu.

livreiro (imaginando peidos, estouros, explosões, o apocalipse e tudo mais): é... incrível...

(silêncio constrangedor, enquanto a senhora se dirige ao caixa, mas não sem antes fazer a pergunta "você é católico?" para outro livreiro)

manual prático de bons modos em livrarias: ágape (do wikipedia, claro: em grego "αγάπη", transliterado para o latim "agape") é uma das diversas palavras gregas para o amor. basicamente é isso, a gente ama diálogos assim. por favor, mantenham a qualidade. agradecemos desde já.
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