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[código pelourinho]

cruz pesadíssima


freguesa: moço, boa tarde. você tem aí "o código pelourinho"?

(livreiro faz aquela cara de assim, assado, cozido e temperado, e logo saca qual é a da freguesa)

livreiro: então, será que não é o "código aleijadinho"?

freguesa: não, moço, é "código pelourinho" mesmo.


livreiro: olha, não existe nenhum livro com esse nome. deve ser o aleijadinho mesmo, não?

freguesa: moço, tenho certeza... é "código pelourinho".

(livreiro, com toda a paciência que conseguiu comprar em 98 vezes sem juros no cartão - um beijo  terapia-, explica que o livro em questão tem sido bastante procurado e pergunta se a freguesa quer dar uma espiada. freguesa parece ter um momento de lucidez e rebate)

freguesa: MAS MEU DEUS, MOÇO, é isso mesmo! lógico que é aleijadinho... um primo meu sofreu um acidente, perdeu a perna, tô aqui lembrando, é isso mesmo... então, cê tem aí?

manual prático de bons modos em livrarias: anotar nome do livro pra quê, né? bóra lembrar das desgraça tudo da família e correr pra livraria. 

[Indicaí]



- Ér, veja

[amor compartilhado por livreiro amigo]

Freguês: Por favor, meu rapaz, estante de literatura gay?

(Taí uma coisa que eu não entendo, mas é assunto pra depois. O que o freguês procurava, na verdadade, eram livros de arte com imagens eróticas)

Livreiro: O setor de Artes fica no piso superior.

Freguês: E guia de turismo GLS?

Livreiro: Olha, moço, não conheço nenhum, mas se tiver, acredito que fique lá também. Os guias de viagem ficam todos no segundo andar.

Freguês: E sauna gay aqui na cidade, qual que você me indica?



Manual Prático de Bons Modos em Livrarias: Menas, freguesia. Menas, por favor.
[não]

                 
                                                   zzZZzzzZzzz



- moça, chico buarque e vinicius de moraes são a mesma pessoa?
- não.

- oi, tem como você ver a programação do cinema, por favor?
- não.

- vocês vendem flauta?
- não.

- por favor, vocês vendem "protetor de tela" pra computador?
- não.

- vocês vivem mudando tudo de lugar, onde foi parar o café da livraria?
- continua no mesmo lugar.
- ah, então não mudaram?
- não.

- moça, onde fica a parte de material escolar?
- não temos.
- então aquela placa "volta às aulas" é propaganda enganosa?
- não.

- tem aquele livro novo chamado"danuza"?
- não, mas tem o "é tudo tão simples", serve?
- esse é o nome do livro? é que está escrito danuza tão grande na capa.
- não, não, não.

- lindinha, tem como me dar um desconto?
- não, o livro já está com um preço bom.
- ah, mas você não pode fazer nada por mim?
- não, eu só sou uma pessoa com um crachá no peito.
- nossa, que deprê! você ganha mal aí?
- sim.
- uns 700 reais?
- menos.
- NOSSA.

manual prático de bons modos em livrarias: não.

[gente normal]


contrariando as expectativas de muita gente que lê o blog, trabalhar em livraria não consiste apenas em atender uma freguesia muito louca de bala e querer morrer quando alguém pede "raízes abertas do brasil" ou a nova biografia do sr. fernando henrique, "8/80". não, senhoras e senhores, além de carregar pilhas de livros para lá e para cá, brincar de caça ao tesouro quando alguém resolve tirar algo do lugar, perder sábados, domingos e feriados, o livreiro precisa estar disponível e ser solícito o tempo todo, mesmo quando o bode da gripe te pega e o telefone toca.

- livraria x, boa tarde?

- oi, eu queria dsfklh et ç~f.

(livreira, que está sem voz há quase dois dias, pede para a freguesa falar mais alto)

- então, eu queria fklhkfhsafnsa,mf.

(pronto, agora além de parcialmente muda, a livreira também está surda, produção?)

- senhora, desculpe, mas não consigo entender o que a senhora está dizendo...

- MINHA FILHA, QUEM NÃO ESTÁ ENTENDENDO SOU EU. QUE VOZ É ESSA? DÁ PRA VOCÊ PASSAR O TELEFONE PRA ALGUÉM QUE SEJA NORMAL?

manual prático de bons modos em livrarias: claro, até porque ser normal, hoje em dia, é não ter educação nem na fila de recarga do bilhete único. parabéns, fregueses, vocês me matam de orgulho. só que não. 
[alô mirtes!]





freguesa: - oi, você trabalha aqui?

(próximo concurso cultural será com essa temática sim ou claro?)

livreiro: - sim, senhora, eu trabalho.

(freguesa enfia a mão na bolsa e puxa um celular)



freguesa: - então recarrega pra mim com 25 reais?



*BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM*


manual prático de bons modos em livrarias: estamos quase lá, feras. vender sabão em pó na livraria é nosso maior sonho. acreditem.
[fregueses x computadores x livrarias x lanhouses]


amor compartilhado pelo freguês leonardo. ♥

(mais uma tarde de labuta. chega 2012, o mundo acaba, mas outubro não termina. enquanto pensa na revolução dos bichos em wallstreet, livreiro é abordado por um freguês deveras educado)

- olá, boa tarde. gostaria de encomendar um livro, por favor.

(livreiro faz todo o processo da encomenda, sem acreditar naquele raro atendimento cheio de paz e equilíbrio natalino. porém, a vida é uma caixinha de surpresas explosivas, não é mesmo? pois bem, o freguês, já com o recibo de pagamento do pedido em mãos, faz a seguinte pergunta)

- se não for incômodo, você poderia consultar o cinema pra mim?


- o senhor deseja consultar se temos algum filme disponível?

- não, eu quero saber a programação do cinema. você pode ver o que está passando no cine X ou no cine Y? pode verificar aí no seu computador?

(claro que podemos! também fazemos o seu mapa astral por apenas 9,90 por mês! faça o seu cadastro agora mesmo aqui)


manual prático de bons modos em livrarias: o freguês do causo acima até que foi banhado de amor e pediu para o "mocinho" verificar. porém, não é raro encontrar gente da clientela mexendo nos computadores da livraria para acessar o twitter, ver a programação do teatro, o endereço do motel mais próximo, dentre tantas outras coisas. QUÉDIZÊ, nem pra consulta de livro é. daí o que a gente faz? dá na cara do freguês? claro que não. e por que? porque livreiro é tudo "maravilhoso, conselêro, deus forte, pai da eternidade e princípe da paz". não sabe se pode usar o terminal de consulta de determinada livraria? pergunte. já foi dito aqui uma vez e fazemos questão de repetir: nós não mordemos e o amor rola solto.
[tirem as crianças da sala]

piquititico assim ó

minha gente, eu costumo redigir os causos que vocês me enviam, antes de publicá-los aqui no manual. é um cuidado que eu tenho, gosto de deixar todos com o mesmo formato e mimimi. sofremos de toc? sofremos. mereço ser amada ainda assim? mereço. no entanto, hoje recebi algo tão ________ (insira aqui o seu adjetivo psicodélico favorito), que não tive coragem de mudar uma vírgula sequer. e, olha, já adianto: o causo é polêmico e não deve ser lido, em hipótse alguma, por crianças menores de oitenta anos. sendo assim, tire a sua sandy da sala, pegue a sua pipoca caseira e venha ficar verde que te kero koko.

amor compartilhado pelo freguês diogo. ♥

"meu PRIMEIRO DIA como livreiro. loja lotada, evento de lançamento no fundo da loja e eu, novato sorridente, andando pela loja pra me familiarizar com o ambiente, seções etc. passando perto da seção de fotografia, um senhor de tipo 50 e alguns anos me chama:

- mocinho, mocinho, por favor.

(já começa aí, né. mocinho meu cu)

- q

- sobre o que é esse livro? *THE BIG PENIS BOOK*

(começo a tremer, obviamente, porque, né, oi, é um livro de PAU GRANDE SENHOR)

- então, é um livro assim, meio engraçado, de fotografias antigas de homens que têm.. ahm, digamos: homens avantajados, sabe? tem também dos seios e vai sair o da bunda.

- NOSSA, achei incrível.

dai o senhor começou a falar sobre a admiração que ele estava sentindo ao ver tal livro, e como era surreal e como ele duvidava que era verdade. comecei a me afastar, mas ele sempre me chamava pra mostrar no dedo algum DETALHE que ele tinha achado interessante. chegou a dizer que "esse aqui equivale a um fist fucking, não acha?"

no final das contas, só me lembro que o nego virava uma taça de vinho atrás de outra e ficava me rodeando. quando a loja acalmou, ele chegou em mim e disse que tinha gostado da minha camisa e tentou abir um botão. SIM, JURO. dai eu surtei, sai correndo, comentei com uma amiga livreira "TEM UM CARA ME ASSEDIANDO HELP" mas, né, af, novato. bom, me afastei do cara e subi pro mezanino (onde ficam os banheiros) e quando to descendo de novo, bingo. tá o velho na porta do banheiro com a benga de fora me chamando 'VEM CÁ, VEM'.

sim, o cara mostrou o pinto pra mim na livraria.
resultado: TRAUMA.

episódios parecidos se repetiram incontáveis vezes na minha vida de livreiro, como quando um homem casado queria sair comigo porque a esposa dele "não fazia direito" e o cara que fingiu encomendar um livro só pra eu anotar meu telefone no papel pra ele me ligar depois."


manual prático de bons modos em livrarias: avc eterno.
[virgem surfistinha]


enquanto isso, gabriel gárcia márquez, leitor assíduo do manual, RIALTO


- mocinha, boa tarde, tem aquele livro do gabriel garcía márquez, o "memórias da minha virgem puta"?

(virgem e puta? tô confusa)

- não seria o "memória de minhas putas tristes"?

- não, não. é um novo aí, que ele lançou há pouco tempo.

(novo de 2004? sei)

- olha, o último livro do gabo (DESCULPA SE SOU ÍNTIMA) publicado é o "eu não vim fazer um discurso". o que a senhora está procurando deve ser o "memórias da minha puta triste" mesmo.

- não, não. eu li sobre esse livro numa revista... é "virgem puta" mesmo.

(vem gente, vem disputar o título de rei da paciência do baile)

- então, não existe nenhum livro com esse título.

- tudo bem, eu vou confirmar o nome e depois eu volto.

- certo. :)


manual prático de bons modos em livrarias: fregueses, vocês acham que é possível manter uma relação de amor verdadeiro sem confiança? não, né? portanto, pedimos encarecidamente que confiem em nós. caso isso não seja possível, recomendamos a utilização do kit-memória: google+papel+caneta. ♥

[sexta do freguês - dia 2]

relato da freguesa julia rocca, que pediu suco de maracaujá e, enfim:

freguesa: oi, eu queria dar uma olhada nos livros sobre o autor que eu estudo no mestrado. tem como você consultar pra mim? o nome dele é wittgenstein.

(ela me mostra na tela os livros e verificamos que não há nenhum deles disponível na livraria. tudo bem, normal, sem problemas, afinal wittgenstein não é assim tão fácil de achar)

livreira: você não quer dar uma olhada nos livros do heidegger? do heidegger a gente têm!
(cadê o orelhão pra gente ver a diferença entre alhos e bugalhos?)

freguesa: er... não. obrigada. deixa pra outro dia. por enquanto vou continuar estudando o wittgenstein mesmo.

manual prático de bons modos em livrarias: caros colhégas, a freguesa pede pra avisar que filósofos com nome esquisito não são tudo uma coisa só.
[tricô na livraria]

e aí? todo mundo foi passar o feriado no café da livraria? que beleza, que maravilha. pois bem, reuni alguns dos melhores depoimentos lá da nossa comunidade hippie para publicar aqui. não vou citar os nomes dos livreiros envolvidos no crime (a não ser que queiram), mas é tudo amor compartilhado por gente bonita daquelas bandas. acompanhem:


freguês: - moço, tem o apanhador de pipas?

livreiro: - no campo de centeio?

freguês: - ai, não sei, a menina falou apanhador de pipas. será que é esse?

(será que eu chego?)


***

freguesa: - boa tarde, tem o livro daquela menina famosa?

livreira: - mas qual menina?

freguesa: - aquele lá, o "anne frank, drogada e prostituída".

livreira: - não seria "o diário de anne frank?

freguesa: - acho que sim, mas ela não também não foi drogada e prostituta?

(poderia ser também "o doce veneno de anne frank". quer dizer)


**

freguesa: - tem "o vendedor de sonhos" do augusto cury?

(livreiro prontamente entrega o livro à freguesa)

freguesa: onde tem mais livros sobre simbologia?

(WHAT?)

**

freguesa: - sabe aquele livro do chuchu?

livreira: ...

freguesa: - é, aquele sobre a infância dele.

(mas desde quando tem biografia sobre o geraldo alckmin por aí, minha gente?)

livreira: - perdão, mas de quem a senhora está falando?

freguesa: - aquele cara famoso, PRESIDENTE da inglaterra.

(e a vontade de largar tudo e falar: não, marlene, vou pra casa)

livreira: - seria o churchill?

freguesa: - churchil? haha, vocês têm um sotaque tão engraçado.

(SABE)

**

livreira: - o sobrenome da senhora é souza com "s" ou com "z"?

freguesa: - claro que é com "s", né? caso contrário, seria ZOUZA.

(zouza total?)

**

freguesa: - moça, tens mad max?

livreira: - vamos ali na parte de áudio.

freguesa: não, é livro.

livreira: - você quer algum livro sobre o filme?

freguesa: - acho que é.

(livreira joga no sistema e encontra dois: um por encomenda e outro fora de catálogo)

freguesa: isso é impossível!, acabou de sair a nova edição desse livro. eu e meu filho vimos aqui na semana passada!

(enquanto a livraria tenta explicar para a senhora de que aquilo era impossível, ela bate o olho em algo e grita com cara de poucos amigos)

freguesa: ACHEI!

conclusão: era o vade mecum de direito. beijos.

manual prático de bons modos em livrarias: diálogos surreais, medo e delírio, memória inimiga, tudo junto e misturado, livros inexistentes... é, fregueses, o mundo gira, a lusitana roda, e vocês continuam iguais. ♥
[alô, mirtes? fala rápido, eu tô no orelhão!]


amor compartilhado pelo freguês v., dono absoluto do meu coração por ter enviado 215 causos de uma só vez ♥


freguês: boa tarde, vocês têm "orelhão"?

(a gente já chegou num estágio que... enfim, até explicar cansa. bóra ser educado e apenas responder a pergunta do jovem)

livreiro: olha, tem no shopping, senhor. é só seguir o corredor e virar à direita.

freguês: como assim, não tem aqui na loja de vocês?

(e a vontade de responder: aqui não, mas no mc donalds tem um com molho especial)

livreiro: não. não tem orelhão aqui, senhor.

freguês: COMO NÃO? vocês não vendem orelhão aqui?

(EU HEIN?! "como não?" oi? estamos falando da mesma coisa, bial?)

livreiro: vender... orelhão? cartão? ficha telefônica?

freguês: não, dicionário! aquele dicionário grandão!!!

(pedro de lara lá lá lá lá lá lá)

livreiro: ah, o aurélio. só um instante.

manual prático de bons modos em livrarias: fregueses alfabetizados na língua francesa, por favor, colaborem. nosso cursinho de idiomas é basicamente musical. obg.
[o livro roxo de jung]


- mocinho, por favor, você tem esse livro, só que roxo?

(sim, a freguesa estava apontando para "o livro vermelho". livreiro pensa em ter um avc, mas desiste da ideia e resolve desenvolver o assunto)

- como assim, minha senhora?

- então, é que eu estou decorando um ambiente e preciso de três metros de livro roxo. tem como você me arranjar esse livro grandão, só que roxo?

(esse livro grandão, só que roxo)

manual prático de bons modos em livrarias: ALÔ SAMU, MANDA UMA AMBULÂNCIA PRA ONTEM.
[pra q serve o roquen rio]

amor compartilhado pela freguesa lu. :)

- moça, tem o cd daquela cantora gorda que canta sentada?

(em tempos de roquen rio, livreira calcula = cantora gorda + canta sentada= #sentalaclaudia)

- o da cláudia leitte?

manual prático de bons modos em livrarias: não, não era. chora aqui no meu ombro, adele.
[dumb people x nice people]

amor compartilhado pelo freguês zé. :)

freguês: boa tarde, vocês tem o dvd x?

livreiro: sim, nós temos. qual o senhor quer, o "simples" ou o "duplo, edição especial"?

freguês: DUPLO...?! não, eu quero a versão simples mesmo. até parece que eu vou pagar mais caro para ver o filme duas vezes.

manual prático de bons modos em livrarias: i die. juro. i die.
[alô, mirtes?]

amor compartilhado pela freguesa lu. :)
(atendimento telefônico)

livreira: livraria x, boa noite.

freguês: oi, cláudia!

(quando o freguês inventa um nome para você é porque a conversa vai ser BOUA)

livreira: pois não?

freguês: então, cláudia, estou procurando um filme, aquele "o gladiador" com o ator himan [pronúncia do freguês: "raimen"]

livreira: olha, eu tenho o filme "gladiador" com o russel crowe, é esse?

freguês: mas esse tem o himan?

(não, meu senhor, o "himan" casou com a "she-ra"* e tiveram mais filhos que a angelina jolie e o brad pitt)

livreira: não, não tem.

freguês: e, cláudia, você sabe qual é a diferença entre os dois?

(é muita cláudia pra pouca cadeira, vou te contar uma coisa)

livreira: sinceramente, eu não tenho idéia do que seja "himan", mas se o senhor quiser, eu deixo reservado o do russel crowe, ok?

manual prático de bons modos em livrarias: quando eu era mais nova e me sentia deprimida, eu ligava para um certo provedor de internet para tentar cancelar a assinatura. daí eles me faziam acreditar que eu era importante e eu desligava o telefone com o ego lá em cima e mais dois meses de internet gratuita. ALOFREGUÊS: está se sentindo triste? abandonado? carente? entediado? deixe disso! ligue para nós. somos melhores que a cvv, pode apostar.

*incesto de leve, pode? pode. valeu, freguês @luizgvt pelo toque. :)
[amy sings frank]

- boa noite, você tem aquele cd que a amy winehouse canta músicas do frank sinatra?

(olha, esse tipo de pergunta é tão desconcertante quanto dizer que o rock in rio é importante para que o mundo seja melhor)

- frank sinatra? amy? o senhor tem certeza?

- sim! é aquele disco chamado FRANK, sabe?


manual prático de bons modos em livrarias: li em algum lugar, não lembro onde, que amy winehouse está preparando um cd só com músicas da ione (isso, aquela que não é cantora, mas jornalista).
[sexta do freguês - dia 1]

causo enviado pela freguesa letícia. ♥


- boa tarde, vocês têm o livro "economia e sociedade", do max weber?

(livreira prontamente digita as informações fornecidas pela freguesa e nada encontra)

- olha, não consta nenhum livro com esse título.

- não? mas é um clássico da sociologia. dá mais olhada, por favor.

(digita, digita, digita, nada. digita, digita, digita, nada. digita, digita e freguesa observa a livreira ficando cada vez mais brava e vermelha e sem paciência)

- não, nada.

- moça, se acabou, não tem problema...

- É QUE ESSE LIVRO NÃO EXISTE.

(véééésh)

- como eu ia dizendo, se acabou, não tem problema; mas dizer que o livro não existe, já é demais.

(inconformada, livreira vira o monitor para a freguesa e afirma, novamente, que o livro nunca havia sido publicado)

- então, se você trocar o marx veber por max weber, talvez você encontre.

(uma rodada de suco de climão para a galera \o/)

manual prático de bons modos em livrarias: como não amar a freguesa que chega com o título do livro e o nome do autor? amigo de labuta, tem dúvidas de como é a grafia de um dos dois? pergunta. tem vergonha de perguntar? joga no google. não conhece a existência do google? simata.
[globalização, a gente vê por aqui]

amor compartilhado pelo freguês matias minduim. ♥



(cenário: livraria prestes a encerrar as suas atividades daquele dia. como a gente já falou aqui, final de expediente é o momento em que os fregueses adoram testar a nossa simpatia. para não fugir à regra, um casal surge no local à procura de confusão. livreira, na tentativa de não estender o horário de trabalho, resolve abordar a freguesia)

- olá, precisam de ajuda?

*silêncio*

(livreira, acostumada com os turistas estrangeiros, que passeiam pelo centro de são paulo, tenta uma novo approach)

- speak english?

*silêncio*

- parlez-vous français?

*silêncio*

- sprechen deutsch?

*silêncio*

- parla italiano?

*silêncio*

(senõr! comofas/ em libras? livreira, que não consegue arrancar um sorriso sequer dos fregueses, no desespero, solta em língua pátria)

- afinal, que língua vocês falam?

(um dos fregueses, aparentemente aterrorizado, meio sem jeito, responde)

- ér, português?.

(hahaha)

manual prático de bons modos em livrarias: só eu acho que o grego deveria ser adotado como língua oficial em todas as livrarias e bibliotecas e sebos desse meu brasil?
[tudo e junto e misturado - parte 8]


rá! pegadinha do martinho.



- moça, vocês têm "as crônicas de fogo e gelo" do martin scorsese?

(em tempo: o que o freguês queria era isso aqui)

manual prático de bons modos em livrarias: temos. a gente tem tudo, pode chegar. não vamos mais discutir. vocês venceram.
[de volta para o futuro, um romance de jane austen]



(seção de literatura, o lugar onde a magia insiste em permanecer entre nós, mesmo quando a loucura quer tomar conta do pedaço. enquanto guarda alguns livros na estante, livreira escuta a conversa deslumbrada entre duas freguesas diante da obra da autora jane austen. algo sinistro, muito sinistro, estava prestes a ser dito)

- essa mulher era genial. eu já li toda a obra dessa escritora, absolutamente tudo.

(haha gente, desculpa, mas ficar se gabando por ter lido a obra completa da jane austen é o mesmo que querer uma medalha por ter lido todos os quatro livros do salinger)

- e qual deles você me indica?

- ah!, "desejo e reparação". "desejo e reparação" é lindissimo, é maravilhoso!

(maravilhoso? ora, maravilhoso vai ser o dia em que o divino espírito santo me conceder a tão sonhada audição seletiva. sério mesmo)

manual prático de bons modos em livrarias: ian mcewan mandou aquele abraço. e também mandou dizer que o nome do livro DELE é só "reparação". francamente, viu.
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