adios

ei, coisinhas.

não sei se volto mais aqui. há tempos tenho lutado contra essa parada chata chamada depressão [um texto bem bom sobre o assunto, aqui] e de vez em sempre me sinto culpada por não postar nada no blog ou deixar a comunidade hippie [aka fanpage do manual no FB] ao deus dará.


peço desculpas aos fregueses,

mas vamos fechar a lojinha para cuidar da saúde.


fiquem bem.

amor,
sempre.

p.s.: eu fico feliz em ver que, mesmo depois de ter aproveitado tantas ideias minhas sem nunca ter me dado qualquer crédito (ou me pagado), uma c e r t a livraria carioca continua "se inspirando" tão descaradamente no manual. <3 

A vez do freguês #02


amor compartilhado pela ludmila rodrigues // envie o seu causo através da fanpage do [manual]


Freguesa: Oi, tem 'Barba Ensopada de Sangue'?

Livreira (assustada): Barbie ensopada de sangue???

manual prático de bons modos em livrarias: vocês me deixam estarrecida.

AAA

hahaha

O vídeo acima é uma encenação do grupo norte-americano The Generic Theater. Porém, quem trabalha em livrarias, sabe que vai ter que lidar, diariamente, com cenas muito mais desconcertantes. É freguês que grita na entrada da loja, é freguesa que berra pra perguntar se ninguém vai ajudá-la, é freguês que se esgoela do segundo andar para o atendente que está no primeiro, enfim, tem de tudo. O mais curioso é que a galera faz isso na maior curtição, sem qualquer cerimônia. Eu, hein? Particularmente, lembrei aqui de um freguês que, revoltado porque ninguém na livraria lia ou conhecia livros "suficientemente tristes", começou a gritar barbaridades:

- MAS SERÁ QUE NINGUÉM AQUI NUNCA MORREU DE CÂNCER?

(meu senhor, não me faça morrer de desgosto cerebral)


manual prático de bons modos em livrarias: faça colagens com revistas da Avon, faça lambaeróbica, faça uma viagem ao centro da Terra, faça o que você quiser, mas não faça barulho no ouvido alheio. não faça barulho no ouvido de gente que você não conhece. é feio. candidatos, vamos manter o nível do debate, candidatos. obrigada fregueses, vamos manter o nível. obrigada.

Perguntas de um trabalhador que lê

arte Burkhart


Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis:
Arrastaram eles os blocos de pedra?

E a Babilônia várias vezes destruída
Quem a reconstruiu tantas vezes?

Em que casas da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?

A grande Roma está cheia de arcos do triunfo:
Quem os ergueu?
Sobre quem triunfaram os Césares?

A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para os seus habitantes?

Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam
gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou?

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?

César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?

Filipe da Espanha chorou,
quando sua Armada naufragou.
Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande Homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.


Perguntas de um trabalhador que lê
Bertolt Brecht

Horário de Verão




Não basta ser domingo. Tem que ser o primeiro domingo do horário de verão. E não basta ser o primeiro domingo do horário de verão. Tem que ser tudo isso e ainda ter que bater ponto, às dez da manhã (amigos do comércio, abraço coletivo aqui). A seguir, um causo nível tranquilo, presenciado por mim em uma livraria perto de casa.

Freguesa: Será que você pode me responder uma pergunta?

(uma não, várias. se tem uma coisa que livreiro adora, além de ouvir telefone tocar o dia inteiro, é responder perguntas. sobre tudo, inclusive. perguntas sobre livros, autores, receitas, remédios, eleições, animais de estimação, tempestades tropicais e outros que tais)

Livreira: Claro.

(freguesa tira um celular da década de 30 da bolsa e chega ainda mais perto da livreira)

Freguesa: Você sabe como eu faço pra arrumar o relógio do telefone? É que a menina do meu trabalho arrumou no ano passado e eu não me lembro comofas.

(mas tá de parabéns a pessoa que sai da sua residência e procura uma livraria pra ajustar o telefone do celular? sim, está. livreira pega o aparelho, observa minunciosamente a peça de museu e devolve para a freguesa)

Livreira: Senhora, não sei. Talvez tenha um tutorial na internet?

Freguesa: Tutorial?

(astronauta?)

manual prático de bons modos em livrarias: não sabe ainda que horas são? pois agradeça ao hora certa pela graça alcançada agora.
>>