20131212

[~concurso cultural~ resultado]

não ganhou? olha pro gatinho que a tristeza passa. :)


a livreira promove um concurso cultural de altíssimo nível na fanpage do blog e o que acontece? a freguesia não satisfeita em deixar a caduquice na internet, resolve ir até à livraria e bolar perguntas pessoalmente: "moça, você tem aquela lente que deixa tudo escuro?" ou "o pessoal que trabalha no café também pode me ajudar com os livros de culinária?" ou "quanto é o aluguel do livro? ah, é pra vender? ué". UÉ.

mas vamos ao resultado, FINALMENTE. vocês foram ótimos, como de costume. melhor freguesia não há (sei não, galera que frequenta lojinha de produtos naturais também bate um bolão. um dia, exploro melhor o assunto com vocês). enfim, AND THE MANUAL GOES TO:


"LIVRO DE ETIQUETA PRA QUÊ SE SOU CONTRA RÓTULOS?" - thaís grootveld 

(uma querida, né? imaginei a boneca entrando na livraria e gritando isso na minha cara. ganhou meu coração, claro)

"então você quer me dizer que pintar um sorriso com canetinha faber castell no rosto, manter a compostura no equilibrismo com os livros (brincando de malabarista ao desfilar pelas dependências livrescas), praticar a insustentável leveza da gentileza, ensaiar diariamente cara de alegria e satisfação no espelho recitando o mantra "sou rica, fina e elegante" e fazer cosplay de google não é o suficiente para ganhar o [manual prático de bons modos em livrarias]? o que mais você quer de mim?" - luiz gustavo o. xavier

(hmmmmmmm)

"vocês têm algum livro espírita do chico anísio?" / "vocês têm embalagem pra presente? posso comprar sem o livro? / "vocês não tem nenhum manual do bom uso da hashtag não?" / "tem aquele 'lassie, a estranha'?" / vocês possuem alguma autobiografia não autorizada?" - júlio paschoal

(olha, júlio paschoal merecia um exemplar por cada pergunta. gente? levou pelo conjunto da obra)

obrigada a todos que participaram, a equipe de jurados composta exclusivamente por mim teve bastante trabalho (sério) para escolher as três perguntas mais dengosas. também agradeço à net, por ter atrasado ainda mais a divulgação do resultado. gracias, gracias, gracias. lindezas que ganharam, me mandem um e-mail (hillepuonto@gmail.com) com o endereço de vocês para o envio do livro. ;)

manual prático de bons modos em livrarias: a janta ficou pronta. vamos comer: miojo.

20131205

[comunicado importante]





fotos daqui.

comunicado importante, risos. post só pra avisar que hoje é o último dia para participar do nosso ~concurso cultural~ (ou minha desculpa favorita para presentear a freguesia com o manual impresso e autografado). para participar, basta fazer aquilo que vocês são especialistas: perguntas completamente sem noção. as três perguntas (e não respostas) mais estranhas levam. :) o resultado será divulgado na segunda-feira, depois que eu terminar de fazer a janta.

e pra quem já comprou o livro, aquele abraço como forma de agradecimento (obrigada, mesmo!). quando eu comprar minha geladeira, chamo vocês todos para um suco de abacaxi com hortelã aqui em casa (cada um traz o próprio copo, é claro).

<3

20131124

[dicionário da depressão]


amor compartilhado pela livreira tati leite


freguesa: você tem dicionários?

(não tenho dicionário, não tenho paciência, não tenho amor próprio. à parte isso, tenho em mim todo o sono do mundo)

livreira: ali naquela estante, senhora.

freguesa: mas aqueles dicionários têm o significado das palavras? tem que ser um dicionário de português com o significado das palavras.

manual prático de bons modos em livrarias: dicionário bom é dicionário que ensina a fazer origami sem usar as mãos.

20131123

[universo em desencanto]

foto do tim maia porque sim


ding, ding, ding, porque o natal está chegando (em tempo: freguesia, façam suas compras pela internet e tenham a delicadeza de aparecer na livraria só para deixar o meu chocotone). mas então, sábado de sol? não, graças a deus. e se não tem sol a freguesia vai pra praia? não também. a freguesia vai pra: isso, vai pra livraria. e a freguesia vai pra livraria comprar livro? lógico que não. freguesia vai pra livraria comprar cd. acompanhem:

freguês: moço, tem algum cd daquele cantor... ele é negro e, hm, tem o cabelo comprido.

mocinho do cd: cantor... negro... cabelo comprido? e ele é brasileiro?

freguês: sim, brasileiro. cê sabe quem é?

(claro que sabe. ele só está repetindo sua pergunta porque quem trabalha em livraria gosta desse jeito 'chaves' de levar a vida)

mocinho do cd: não faço a mínima ideia.

(silêncio)

freguês: ele tá naquele programa lá... 

(aquele cantor lá, aquele programa lá. rapeize, assim vocês não colaboram com a manutenção do nosso sorriso 'salve, simpatia')

mocinho do cd: ...

freguês: ah, lembrei! é o CHARLES BROWN.

(você pensou no james brown? e no charlie brown jr.? a livreira aqui pensou nos dois e foi além, mas o mocinho do cd, sempre sagaz, pegou a mosca no ar)

mocinho do cd: não seria o carlinhos brown?

freguês: isso, carlinhos brown! tem algum cd dele aí? 

manual prático de bons modos em livraria: agradecemos ao 'the voice' pelo causo alcançado. 

20131121

[uma rodada de deleuze pra galera]

e aí, gata, tô causando impacto?


quinta-feira pós-feriado. livreira ainda está se recuperando do carnaval fora de época (leia-se trabalhando de ressaca, com dores nos pés, na cabeça, mas sem deixar o movimento sexy de lado) quando o freguês coxinha, coxa creme, coxa nível hard (não, não era o rei do camarote), adentra a livraria.

freguês: moça, cê tem aí alguma coisa do deleuze?

(e você aí jurando que o moço ia pedir algum da lista dos mais vendidos da veja, né? é, eu também)

livreira: sim, temos todos esses aqui (apontando para a pilha). você tá procurando algum específico?

(freguês olha ao seu redor, coça o queixo e manda na lata)

freguês:  olha, querida (QUE-RI-DA), eu vou mandar a real: marquei um encontro com uma moça aqui na livraria e eu tô ligado que ela adora ler... daí eu queria que ela me encontrasse lendo alguma coisa que causasse IMPACTO.

(causar impacto? mas cê tá fazendo isso errado, moço. que tal o 'big penis book', meu amor?)

livreira: ah, entendi. então serve qualquer livro do deleuze?

(inclusive um que não tenha sido escrito por ele?)

freguês: é, é... isso.

(livreira pega o primeiro deleuze que encontra pela frente e entrega para o freguês, que senta na poltrona, abre o livro e faz a sua melhor pose INTELECTUAL POR UM DIA).

manual prático de bons modos em livrarias: deleuze curtiu isso.

20131030

[marilda mandou um beijo]

marilda

ficar sem ter o que fazer em uma livraria é praticamente impossível. pode até parecer, mas não estamos sempre correndo de um lado para o outro porque somos integrantes de um grupo praticante de corrida alternativa. o negócio é que todo mundo quer ser amado por nós, portanto, freguês amigo, não adianta fazer cara feia quando pedimos "só um instante, por favor" (até porque cara feia só significa que você tem a cara feia). WELL, o ritmo é de bandfolia, carnaval todo dia, mas às vezes, rola uma pausa para falarmos sobre os últimos lançamentos importantes da literatura brasileira contemporânea. e é durante uma dessas pausas, que o freguês gente boa chega sem os freios.

freguês (gritando): TEM AÍ O LIVRO X?

(livreira e livreiro amigo se espantam com TAMANHA delicadeza e ficam sem qualquer tipo de reação)

freguês: TEM?

(livreiro, menos consternado que a livreira, sai para verificar o título em outro terminal. livreira, ainda sem jeito, volta a arrumar a estante de literatura, bem próxima ao moço)

freguês (olhando para o braço da livreira): QUEM É MARILDA, HEIN?


livreira: ma-ril-da, meu senhor?

freguês (pegando no braço da livreira): ESSA TATUAGEM AÍ NO SEU BRAÇO, HEIN? TÁ ESCRITO MARILDA. QUEM É MARILDA?

(às cinco da tarde, tudo o que a livreira aqui menos quer é um freguês desconhecido relando nela. livreira também acha deselegante essa história de ter que falar da sua tatuagem para alguém que nunca viu mais louco)

livreira: ah, é a minha mãe, senhor.

freguês: SUA MÃE??

(minha mãe???)

livreira: é, marilda é o nome da minha mãe. fiz a tatuagem para homenageá-la.

(criatividade mandou lembranças, hillé)

freguês: ...

livreira: ...

freguês: MENINA, E NÃO É QUE MARILDA ERA O NOME DA MINHA PAIXÃO? MAS ELA JÁ VIAJOU.

(mentira?)

livreira: sei...

freguês: AGORA ELA TÁ DESCANSADO, SABE?

(não sei, senhor. queria muito saber como funciona esse lance de descanso. descanso mental, inclusive. o senhor poderia me explicar? um desenho também pode me ajudar. gracias.)

livreira: sei...

manual prático de bons modos em livrarias: recadinho do justin para quem não sabe apreciar o bom silêncio de uma livraria e ~fala demais por não ter nada a dizer~. marilda também mandou um beijo pra essa galera. shhh.

20131024

[a princesinha]


véspera do dia das crianças. a mamãe, o papai, o vovô e a titia deixaram para comprar o presente de última hora? LÓGICO. e o livreiro vai ter ouvir um monte por não ter aquele livro ou outro? evidente. então o negócio é mandar o cavaco chorar e seguir atendendo a freguesia com aquele sorriso bonito de sastisfação.

freguesa: moça, vocês vendem diário para  menina?

(~diário para menina~)

livreira: não, a gente não comercializa diários, mas temos alguns cadernos e a garota pode usar como diário. quer dar uma olhada?

freguesa: pode ser.

(livreira leva a freguesa até o setor de papelaria e o cavaco começa chorar)

freguesa: moça, mas não tem nada pra menina aqui.

(ai, moça, menina não gosta só de rosa, vamos combinar?)

livreira: olha, tem esse aqui do 'pequeno príncipe', o que você acha?

freguesa: MAS EU JÁ DISSE QUE É PARA UMA MENINA.

(livreira puxa da memória aquele exercício de respiração que aprendeu ontem no youtube e começa a colocar em prática)

livreira: então, mas é 'o pequeno príncipe'... ele é um personagem querido por todo tipo de gente. é a história de (um et que foi devorado por uma cobra).

(livreira é interrompida pela freguesa)

freguesa (meio que bufando): bem que poderia ter a versão para meninas, né?

(uma letra para resumir o atendimento: Z)

freguesa: "a pequena princesa" seria o ideal. deixa moça, não vou levar nada não. 

manual prático de bons modos em livrarias: Z.

20131023

[vou de sedan]

(causo telefônico)

livreira: livraria xzyzaff, bom dia.

freguês: oi, bom dia. você pode ver se tem um livro aí na loja de vocês?

(UM? tô olhando aqui ao meu redor e tem vários, viu)

livreira: sim, e qual seria?

freguês: ah, é um livro pequeno, de um fotógrafo famoso... ele ficava aí perto do balcão do caixa.

(assim é fácil, mio chapa)

livreira: e o senhor sabe o nome do fotógrafo famoso?

freguês: não, não lembro... mas lembro que ele tinha um SEDAN na capa.

(um sedan: guardem essa informação. livreira tenta lembrar das últimas coisas que ficaram expostas no caixa - porque, né, decorar tudo o que já ficou em destaque na livraria é uma das nossas atividades complementares -, mas não lembra de ter visto NA VIDA um livro que tivesse um sedan na capa)

livreira (consultando amigo livreiro): vem cá, você lembra de algum livro de fotografia com um sedan na capa?

amigo livreiro: sedan?

(é, me abraça)

livreira: é, o cliente tá no telefone falando que viu um livro no balcão do caixa e que ele tinha um sedan na capa.

(amigo livreiro vai até o setor de fotografia e volta com a joia)

livreiro: olha, confirma lá com ele, acho que você está entendendo errado.

(sim, a livreira estava realmente entendendo errado. o freguês pediu um livro de fotografia com uma 'afegã na capa', mas a livreira, graças ao calor/caos/loucura pré-natal, entendeu 'sedan'. FUÉN)

manual prático de bons modos em livrarias: o delírio, ele é contagioso. protejam-se. 

20131002

[zzzZZZzz]



às vezes cansa, mas quarta-feira cansa mais. "tem descarga pra caneta?", "não, senhora, não vendemos carga para caneta". pois é. daí o freguês entra na livraria e começa a observar os livros em destaque na bancada de lançamentos. ele olha, olha, coça a cabeça, pega um, pega outro e, de repente, pega um título que desperta a sua atenção e vai até o livreiro amigo:

freguês: vem cá, você teria algum exemplar desse livro aqui que não tivesse sido manuseado por MÃOS HUMANAS?

(claro, e livros que não foram escritos por mãos humanas, interessa?)

manual prático de bons modos em livrarias: sim, tem freguês que JURA que temos uma segunda livraria no subsolo do mundo, com todos os livros fechadinhos ("ai, mas não tem um fechadinho?").  e freguês que pede pra abrir o único exemplar, mas quer levar fechado? hahaha, LINDOS VOCÊS. entendam: livro exposto é livro pra ser, sim, manuseado (com carinho) e vendido. por falar nisso, já compraram o livro do [manual] a preço de banana? e, não, ele não vai fechadinho, que fique bem claro.

20130930

[crédito ou débito?]


depois do rock in rio, o maior evento que a cidade ofereceu aos seus moradores e turistas, como vocês devem ter lido nos jornais, foi o meu retorno ao trabalho: aqui e na livraria. sim, estamos de volta, freguesia fidelíssima. #vemkafkacomigo

freguesa (tensa, prestes a pagar o livro): minha filha, tenta passar esse cartão aqui ó, mas acho que eu já estourei o limite.

(operadora do caixa pega o cartão, passa na maquininha e PÉIN, não autorizado)

caixa: senhora, não foi autorizado

freguesa: af, então tenta no débito.


caixa: também não foi autorizado.

(tenta o cartão telefônico?)

freguesa (gritando): como assim não foi autorizado? eu tenho seis mil reais na conta! como assim não foi autorizado?

(fala mais alto, por favor, enquanto eu tento calcular as chances de sequestro relâmpago que a senhora pode sofrer por falar coisas do tipo em um lugar movimentado)

caixa: ...

freguesa: só pode ser um problema na máquina de vocês. sei lá, deve ser falta de limpeza (falta de limpeza nos ouvidos da senhora???????????????????). TENTA DE NOVO.

(PÉIN)

caixa: senhora, olha, realmente não tá rolando. a senhora já tentou conversar com alguém no banco?

freguesa: os bancos estão em greve, O QUE EU FAÇO?

caixa: não sei, senhora. já tentou sacar?

freguesa: sacar? O QUE EU FAÇO? se eu for no sindicato eles resolvem meu problema? 

(ques sindicato, moça? o que a senhora tá falando? cara, que loucura, cara)

caixa: não sei, senhora. vai ali no caixinha eletrônico e tenta sacar o valor.

freguesa: eu não consigo sacar, já tentei.

(anrrã)

caixa: então, sinto muito.

freguesa: VOCÊ TÁ QUERENDO ME DIZER QUE EU NÃO VOU LEVAR O 'DERRIDA'?

(livreto de bolso, menos de finte reais. melhor freguesa da vida)

caixa: se a senhora não efetuar o pagamento não vai dar pra levar, né?

freguesa: NÃO TÔ ACREDITANDO QUE EU NÃO VOU LEVAR O 'DERRIDA'.

(nem eu que tô ouvindo essa conversa. a senhora não vai levar o derrida, mas vai levar um peteleco meu na orelha)

caixa: ...

(freguesa percebe que não vai rolar o caderninho de 'fiado', vira as costas e sai batendo o pé para nunca mais voltar. e olha que esperamos. de verdade.)

manual prático de bons modos em livrarias: cês são tudo malandrão, né? estamos de olho.